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Loucus Amoenus
 


Negrinha (Livro), de Monteiro Lobato

 

Negrinha, publicado em 1920, segundo os especialistas em Monteiro Lobato, reúne o melhor em sua obra de literatura não-infantil. São vinte e dois contos, alguns são de sua fase atormentada, antes de viajar aos Estados Unidos. "Negrinha", "O Jardineiro Timoteo", "O colocador de pronomes" e a obra-prima, "A facada imortal", que foi escrita em seu regresso, são alguns deles.

Muitos contos de Negrinha são experimentos com as linguagens dramática ou cinematográfica, que conferem a seu texto maior velocidade e promovem deslocamentos temporais e narrativos curiosos.

Os contos abordam tragédias, ódio e romantismo. Os personagens destes 22 contos são um retrato da população brasileira das décadas iniciais do século XX. Através deles, Lobato denuncia e desnuda os bastidores de uma sociedade patriarcal que deixa entrever os vestígios de uma persistente mentalidade escravocrata, mesmo décadas após a abolição.

Monteiro Lobato

 

Depois de escrever para adultos, criar a indústria livreira no país, fazer campanha para o saneamento e a criação da indústria siderúrgica e petrolífera, aos 52 anos Monteiro Lobato investiu na literatura infanto-juvenil e elaborou a saga do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Revolucionou o gênero, consagrando-se como um dos maiores escritores do país. Na série, confiando na inteligência da criança e usando tudo aquilo de que ela gosta (humor, originalidade, surpresa, diálogo e muita ação), o escritor criou um universo mágico habitado por personagens que povoam a imaginação de muitos brasileiros. O melhor exemplo é a boneca de pano Emília, que representa a criança livre e teimosa, mas boa companheira. São outros personagens do Sítio: Dona Benta, Visconde de Sabugosa, Tia Nastácia, Saci e Marquês de Rabicó. Nascido em Taubaté, foi em 1895 para São Paulo, ingressando na Faculdade de Direito. Formado, foi promotor público em Areias (Vale do Paraíba, São Paulo).

Em 1911, herdou a fazenda de São José de Buquira, para onde se mudou. Lá escreveu seu primeiro livro de contos, Urupês (1918), um sucesso de público e crítica, enfocando costumes, tipos e linguagens regionais. Nele criou Jeca Tatu, o protótipo de lavrador brasileiro. Depois escreveu Cidades Mortas (1919) e Negrinha (1920), sem alcançar o brilho do primeiro. Criou a Monteiro Lobato & Cia., primeira editora nacional (até então os livros brasileiros eram impressos em Portugal). Com A Menina do Narizinho Arrebitado (1921), com edição de 50 mil exemplares, começou a pensar na série do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Mas, preocupado com literatura adulta e com o mundo dos negócios, desligou-se da idéia. Em 1927, partiu para os Estados Unidos na condição de adido comercial do Brasil em Nova York. Exonerado, voltou em 1931.

Encantado com o progresso norte-americano, escreveu América (1931) e convenceu-se de que a produção de ferro e petróleo retiraria o país do subdesenvolvimento. Envolvido na questão, publicou O Escândalo do Petróleo (1936), sendo perseguido e criticado. Em 1941, depois de enviar a Getúlio Vargas uma violenta carta denunciando sua política petrolífera, foi condenado a seis meses de prisão, sendo liberado após 90 dias. Amargurado e empobrecido, retornou à literatura infanto-juvenil. Escreveu 23 livros do Sítio do Pica-Pau Amarelo, entre eles: Saci, Caçada de Pedrinho, Viagem ao Céu, O Minotauro, Os Doze Trabalhos de Hércules, A Reforma da Natureza, A Chave do Tamanho, Memórias da Emília.

 

 



Escrito por Rodolfo Mario às 09h08
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Negrinha - Resumo

1.    Negrinha

O conto "Negrinha" é narrado em terceira pessoa, é impregnado de uma carga emocional muito forte. O conto se mostra atual ao denunciar a violência contra a criança, notadamente a negra. Com ironia, lobato elabora o retrato negativo "da excelente senhora", a "ótima dona Inácia", apontando, através de chavões, a hipocrisia da sociedade: "a caridade é a mais belas das virtudes cristãs..."; "quem dá aos pobres empresta a Deus".

O tema da caridade azeda e má, que cria infortúnio para os dela protegidos, é um dos temas recorrentes de Monteiro Lobato.

O segundo aspecto que poderia ser observado é o fenômeno da epifania, a revelação que, inesperadamente, atinge os seres, mostrando-lhes o mundo e seu esplendor. A partir daí, tais criaturas sucumbem, tal qual Negrinha o fez. Ter estado anos a fio a desconhecer o riso e a graça da existência, sentada ao pé da patroa má, das criaturas perversas, nos cantos da cozinha ou da sala, deram à Negrinha a condição de bicho-gente que suportava beliscões e palavrórios, mas a partir do instante em que a boneca aparece, sua vida muda. É a epifania que se realiza, mostrando-lhe o mundo do riso e das brincadeiras infantis das quais Negrinha poderia fazer parte, se não houvesse a perversidade das criaturas. É aí que adoece e morre, preferindo ausentar-se do mundo a continuar seus dias sem esperança.

 

 

2.    As fitas da vida

 

No conto "As fitas da vida", um velho, ex-soldado da Guerra do Paraguai, sozinho e cego, acaba por engano sendo levado ao prédio da imigração em São Paulo. Velho e cego, ele declara que gostaria de reencontrar seu antigo capitão, ao qual serviu durante a guerra. Se queixava sempre de que todas as suas desgraças provinham de ter perdido o seu capitão durante a Guerra do Paraguai, e dizia que, se ele encontrasse o seu capitão, as suas agruras teriam fim, e até a visão certamente ele recobraria. Ele acreditava que o bom homem seria capaz de cura-lo até mesmo da cegueira.

E, afinal, um dia, aparece, incógnito, o seu querido capitão, e este, para experimentar a fidelidade do velho cego e identificá-lo, fala mal de si próprio, diz que o capitão não passava de um covarde, etc. e o cego se enfureceu, e chorou, e disse que não se insultava assim uma pessoa que não poderia reagir... Então, “mal pronunciara essas palavras, sentiu-se apertado nos braços do Major, também em lágrimas, que dizia: - Abrace, amigo, abrace o seu velho capitão! Sou eu, o antigo capitão Boucault...”

A partir daquele momento a vida do cego mudou, ele foi operado e recuperou a visão e tudo passou a lhe sorrir porque ele achara o seu capitão. E ele exclamava: - “Achei meu capitão! Achei meu pai! Minhas desgraças acabaram-se!...” Então, o médico-capitão o encaminhou para uma cirurgia de catarata, devolvendo-lhe de fato a visão.

 

3.    O drama da geada

Em "O drama da geada", um rico fazendeiro do café enlouquece, depois de ver todo seu cafezal queimado pela geada. Durante a noite ele desaparece e, depois de muito procurá-lo, seus parentes o encontram pintando de verde as folhas amareladas pela geada.

O autor constrói neste conto a ambientação em frases curtas, como as encontramos no texto dramático:

Junho. Manhã de neblina. Vegetação entanguida de frio. Em todas as folhas o recamo de diamantes com que as adereça o orvalho. Passam colonos para a roça, retransidos, deitando fumaça pela boca. Frio. Frio de geada, desses que matam passarinhos e nos põem sorvete dentro dos ossos. Saímos cedo a ver cafezais, e ali paramos, no viso do espigão, ponto mais alto da fazenda. (LOBATO, 1951, v. 3, p. 21)

O trecho acima abre o conto de forma muito próxima do texto dramático em sua forma concisa de descrever o cenário, no uso do Presente do Indicativo para descrever a ação das personagens antes que se dê o primeiro diálogo.



4.    O Bugio moqueado

 

No relato de "O Bugio moqueado", o narrador nos fala de sua experiência assustadora depois de ter visitado um bruto fazendeiro no Mato Grosso. Ele jantou com o homem e viu que uma estranha carne fora servida à esposa do fazendeiro. Ela comeu a contra-gosto o esquisito prato. Mais tarde, conversando com um amigo negro, descobrira que esse tal fazendeiro teria assassinado e moqueado (preparado a carne) um negro de sua fazenda por suspeitar que ele tivesse tido um caso com a sua esposa, o que se supunha pura maledicência.

O escritor retorna ao tema da decadência e morte do sertão brasileiro tratada a partir da história sombria e aterradora de um marido provavelmente traído (um poderoso coronel-fazendeiro) que mata o suposto amante da esposa e a obriga a comer sua carne. Formalmente, o texto apresenta uma estrutura interessante, uma vez que existem dois enredos que servirão de condutores da história. O narrador descreve um jogo de pelota; a descrição é interrompida para o protagonista narrar o segundo e principal enredo, que posteriormente também é interrompido para se voltar ao jogo. Ao final do conto ambos fios condutores se entrecruzam com a intervenção de um segundo narrador, que oferece o desfecho da trágica história. Todo o texto é marcado pelo uso constante de diálogos, conferindo maior dinamismo à narrativa e um caráter de linguagem informal, como se fosse uma conversa entre os participantes do jogo de pelota.

Neste conto a novidade está na adequação entre assunto e estrutura da narrativa, uma vez que o inusitado dos fatos contamina a construção do texto. Apoiado na estrutura dos "causos" narrados pelos interioranos ao pé das fogueiras nas fazendas, o conto relata um estranho fato ouvido pelo narrador durante um jogo pelo sertão de Minas Gerais. Ao construir uma narrativa sobreposta a outra, ancorada em crenças e histórias populares, com uma linguagem bastante próxima a essa realidade insólita, Lobato aproximou-se tanto do Macunaíma, de Mário de Andrade, como da linguagem mito-poética de Guimarães Rosa, trinta anos depois.



Categoria: sala de aula
Escrito por Rodolfo Mario às 09h02
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Negrinha - Resumo

5.    O Jardineiro Timóteo

O conto "O jardineiro Timóteo", de Monteiro Lobato, apesar de "escorregões" em esteriótipos racistas, é um relato sensível e triste sobre a violência contra os negros no Brasil, podendo ser lido ainda como um lamento sobre certo lado destruidor da humanidade. Lobato parece questionar a modernização a qualquer preço, aquela que destrói sem critérios, sem pesar os sentimentos de quem participou da construção no momento anterior.

O conto relata a história do negro Timóteo, um "preto branco por dentro", negro descendente de escravos, que cuida, há mais de quarenta anos, do jardim de uma fazenda. Por ser zeloso e bom, conforme será reforçado várias vezes, é aceito pela família do senhor e pode viver feliz naquele lugar. Timóteo criado desde pequeno na fazenda onde trabalha, vive em um mundo no qual a comunicação é exclusivamente oral, os códigos sociais estão alicerçados em valores estáveis, e a “palavra de homem” sustentada vale mais que qualquer documento escrito. O jardineiro é assim apresentado:

Verdadeiro poeta, o bom Timóteo. Não desses que fazem versos, mas dos que sentem a poesia sutil das coisas. Compusera, sem o saber, um maravilhoso poema onde cada plantinha era um verso que só ele conhecia, verso vivo, risonho ao reflorir anual da primavera, desmedrado e sofredor quando junho sibilava no ar os látegos do frio. O jardim tornara-se a memória viva da casa.

O narrador, que desta vez não é apresentado como personagem, tem para Timóteo um olhar generoso, quase cúmplice, atribuindo-lhe um valor marcadamente positivo, de depositário de um saber a um só tempo profissional e social.

O texto desenha a postura humilde, servil e dócil do jardineiro em relação aos proprietários da fazenda, como mostram os trechos:

O canteiro principal consagrava-o Timóteo ao ‘Sinhô Velho’, tronco da estirpe e generoso amigo que lhe dera carta d’alforria muito antes da Lei Áurea. Bem no centro erguia-se um nodoso pé de jasmim do Cabo, de galhos negros e copa dominante ao qual o zeloso guardião nunca permitiu que outra planta sobre excedesse em altura. Simbolizava o homem que o havia comprado por dois contos de réis, dum importador de escravo de Angola.

Dessa perspectiva, o no mundo de Timóteo e seus senhores não havia as contradições ou conflitos que a escravidão gerou; há, pelo contrário, até uma inversão, a escravidão é “doce” e dá lugar a uma afetividade que a neutraliza por completo:

O canteiro de Sinhazinha era de todos o mais alegre, dando bem a imagem de um coração de mulher. Tal qual a moça, que desde menina se habituara monopolizar os carinhos da família e a dedicação dos escravos, chegando ao ponto de, ao sobrevir a Lei Áurea, nenhum ter ânimo de afastar-se da fazenda. Emancipação? Loucura! Quem, uma vez cativo de Sinhazinha, podia jamais romper as algemas da doce escravidão?

Timóteo era feliz. (...) Sem família, criara uma família de flores; pobre, vivia ao pé de um tesouro.(...) era feliz sim. Trabalhava por amor.

Como podemos perceber, a bondade de Timóteo e sua benevolência são cada vez mais acentuadas, procurando enternecer o leitor e desviando-lhe a atenção, nunca o levando a uma reflexão, pelo contrário, dando aos fatos cores sentimentais. No texto, brancos e negros parecem conviver harmonicamente, uma vez que não há nenhum vestígio de qualquer conflito racial. Todos vivem pacificamente; o negro liberto era feliz vivendo ligado ao seu senhor. Essa idéia do negro tutelado eternamente é reforçada quando o personagem morre ao ser deixado na fazenda, tendo sido esta vendida. A família parte e Timóteo permanece na fazenda e é “passado” para outra família como se fosse um móvel, um utensílio qualquer ou fizesse parte do “seu” jardim. A idéia de viver sem a tutela do “bom senhor” será insuportável ao doce serviçal e culminará com a sua morte:

Eu vou, mas é embora daqui, morrer lá na porteira como um cachorro fiel. Lá agoniza ao pé da porteira. Lá morre.

Vale observar ainda, que o texto atribuirá ao personagem características eminentemente infantis, de adulto-criança ou do “negro/criança/grande”. Ao pintar sua espontaneidade, sua simplicidade e ingenuidade, o discurso textual passará sutilmente a idéia de total impossibilidade de uma convivência de iguais; dessa forma, sendo o negro ainda criança, precisará de alguém que o guie e que o proteja. A morte de Timóteo apenas virá confirrmar essa idéia. A afetividade do negro em relação aos seus patrões pode ser resumida como uma apologia ao senhor branco.
Iletrado, Timóteo domina e recria um alfabeto vegetal, escrevendo com as mudas que planta a história da família. Assim, o canteiro central é dedicado ao “Sinhô velho”, “tronco da estirpe”, representado por um “nodoso pé de jasmim do cabo, de galhos negros e copa dominante, ao qual o zeloso guardião nunca permitiu que outra planta sobreexcedesse em altura”. À volta do jasmineiro, periquitos e cravinas, porque o “Sinhô” “era homem simples, pouco amigo de complicações”.

Havia também dois canteiros em forma de coração, um “de Sinhazinha” e o outro reservado para o “Sinhô moço”, com o qual ela viesse a casar-se. O dela era o mais alegre de todos: “livro aberto, símbolo vivo, crônica vegetal, dizia pela boca das flores toda a sua vidinha de moça”; primeiro “flores alegres de criança – esporinhas, bocas-de-leão, ‘borboletas”; em seguida, “flores amáveis da adolescência – amores-perfeitos, damas-entre-verdes, beijos-de-frade, escovinhas, miosótis”; até brotar nele a primeira “planta séria”, o pé de flor-de-noiva que marcou o dia em que foi pedida em casamento; “os primeiros tufos de violeta” Timóteo plantou “quando lhe nasceu, entre dores, o primeiro filho”; “e no dia em que lhe morreu esse malogrado botãozinho de carne rósea, o jardineiro, em lágrimas, fincou na terra os primeiros goivos e as primeiras saudades”. O canteiro do Sinhô-moço, ao contrário, “revelava intenções simbólicas de energia”: “cravos vermelhos”, “roseiras fortes”, “ouriçadas de espinhos”, “palmas de Santa Rita, de folhas laminadas”, “junquilhos nervosos”.

O jardim também consagrava uma planta “a cada subalterno ou animal doméstico”:
Havia a roseira-chá da mucama de Sinhazinha; o sangue-de-Adão do Tibúrcio cocheiro; a rosa-maxixe da mulatinha Cesária, sirigaita enredeira, de cara fuchicada como essa flor. O Vinagre, o Meteoro, a Mangerona, a Tetéia, todos os cães que na fazenda nasceram e morreram, ali estavam lembrados pelo seu pezinho de flor, um resedá, um tufo de violetas, uma touça de perpétuas. [...]
Também os gatos tinham memória. Lá estava a cinerária da gata branca morta nos dentes do Vinagre, e o pé de alecrim relembrativo do velho gato Romão.

Vendida a fazenda, os novos proprietários impõem o padrão do gosto da moda, tanto na reforma da casa, incluindo a renovação da mobília, quanto no jardim, que para os recém-chegados, não tem nenhum valor, sendo até ridicularizado: “É incrível! Um jardim destes, cheirando a Tomé de Souza, em pleno século das crisandálias!” E riam “como perfeitos malucos”, correndo o jardim: “É inconcebível que haja esporinhas no mundo”; “E periquito, Odete! Peri- qui-to!”

Uma vez condenado o jardim, mandam “vir o Ambrogi para traçar um plano novo de acordo com a arte moderníssima dos jardins ingleses”. A reforma segue a tendência da época, quando “a fazenda passa a ser extremamente requintada e elementos da arquitetura urbana são levados para a arquitetura rural – móveis, estuques, lustres, etc., além dos jardins de traçado elaborado e com plantas importadas.”

O jardineiro como personagem recupera portanto a idéia de trabalho, de cultivo, de execução, que esteve associada, durante séculos, à palavra jardim, mas que foi abandonada em prol da percepção da coisa pronta, no ato da fruição ou do consumo. No caso de Timóteo, seu jardim é o produto de um trabalho que o novo senhor despreza, resultante de um processo do qual não foi testemunha e que de forma alguma é de seu interesse. A criação de um jardim pode ser considerada uma pintura no espaço, em que estão presentes noções como profundidade, volume, contraste claro-escuro e uso de diferentes tons de uma mesma cor.

Esta observação é particularmente interessante no caso de Lobato por tratar-se de um escritor com imenso gosto pelo desenho e pela pintura, como já foi apontado anteriormente neste trabalho. Mas para o autor de “O jardineiro Timóteo”, o jardim, além de pintura, é também texto, e como tal deve ser lido.

O conto exibe o choque entre tempos e experiências paradoxais vividos pelos diferentes segmentos da sociedade brasileira que, obrigados pelas circunstâncias a conviver no espaço, fazem emergir o inevitável conflito. Situação que vai sendo apresentada ao leitor de maneira a fazê-lo simpático ao jardineiro, à medida que o acompanha no seu desvelo com o jardim por meio do qual registra a história dos patrões.

O jardim criado por Timóteo: é um jardim com história. As plantas significam, são encaradas como seres vivos e não como objetos que entram ou saem de moda. Esse jardim foi destruído. Os antigos patrões de Timóteo, vivendo por um longo período no ambiente rural, haviam aprendido a respeitar o conhecimento dos subalternos sobre plantas e animais, adquirido e acumulado no contato estreito do trabalho e no cuidado com os mesmos, e transmitido de uma geração a outra pela tradição oral.

O novo fazendeiro, representante da “modernidade” que despreza o passado, e com ele os saberes tradicionais, torna impossível para Timóteo a vida na fazenda. Além disso, ao apagar-lhe a história, arrancando uma a uma todas as páginas do livro que escrevera, inviabiliza também qualquer possibilidade de plano para o futuro.

Conflito insolúvel, como na tragédia clássica. Já que não existe conciliação possível, o jardineiro encontra no amaldiçoamento e na morte as únicas respostas à altura daquela desgraça, sendo alçado assim à estatura de um herói trágico. Seu corpo será encontrado na manhã seguinte, “ao pé da porteira”, “enrijecido pelo relento, de borco na grama orvalhada, com a mão estendida para a fazenda num derradeiro gesto de ameaça”.

A morte de Timóteo retoma a idéia do primeiro projeto de livro feito por Lobato, “Dez mortes trágicas”. Ao escolher a maneira como quer morrer, lançando, contra o “branco de má casta”, pragas que conjuram contra ele as forças da natureza afrontada, Timóteo se vinga e inscreve pela última vez sua experiência na memória dos vivos, que contarão sua história. Timóteo seria, enquanto representante de uma tradição de narradores, também alguém que se relaciona de maneira intensa com a morte. Morrer para ele é um ato, um gesto totalmente afirmativo, pleno de sentidos.



Categoria: sala de aula
Escrito por Rodolfo Mario às 09h01
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Negrinha - Resumo

6.    O Fisco

Em "O Fisco" o cenário é a cidade de São Paulo, mais precisamente, o parque do Anhangabaú.

Neste conto, além de dividir o conto em Prólogo, Epílogo e Primeiro Ato, Monteiro Lobato vale-se de um recurso muito explorado no cinema: subverte a sequência cronológica. Inicia sua história pelo incidente central, voltando atrás para explicar o que aconteceu antes e para que o leitor entenda como se chegou a ele. Também a descrição da personagem central, Pedrinho, lembra o texto dramático em sua concisão e no emprego do Presente do Indicativo: Pedrinho sai. Nove anos. Franzino, doentio, sempre mal alimentado e vestido com os restos das roupas do pai. (LOBATO, 1951, v. 3, p. 61)

Um menino, filho de imigrantes italianos, tenta ajudar a família se tornando engraxate. Mas assim que se dirige à praça, é abordado por um fiscal da prefeitura que exige dele a licença municipal. Sem o dinheiro para a licença, o menino é levado até sua casa, sua mãe tem de gastar as últimas economias do mês e o menino bem-intencionado acaba por levar uma surra do pai, enquanto o fiscal se dirige ao bar da esquina para tomar uma cerveja com o dinheiro que “arrecadara”. O narrador elabora sucessivas comparações entre o organismo humano e a vida na cidade. A rua é a artéria; os passantes, o sangue. O desordeiro, o bêbado e o gatuno são os micróbios maléficos, perturbadores do ritmo circulatório determinado pelo trabalho, em particular dos imigrantes italianos. O soldado de polícia é o glóbulo branco — o fagocito de Metchenikoff. E continua o conto: "Mal se congestiona o tráfego pela ação anti-social do desordeiro, o fagocito move-se, caminha, corre, cai a fundo sobre o mau elemento e arrasta-o para o xadrez."

Nesta narrativa, Monteiro Lobato se vale da ficção para chicotear as iniquidades tributárias que tanto combatia. Vê-se que o garoto, sem autorização da Prefeitura (e ele nem sabia o que era ou porque havia necessidade disso) fora surpreendido pelo fiscal:

"– Então, seu cachorrinho, sem licença, heim? Exclamava entre colérico e vitorioso, o mastim municipal, focinho muito nosso conhecido." [43]

E continua Lobato: "A miserável criança evidentemente não entendia, não sabia que coisa era aquela de licença, tão importante, reclamada assim a empuxões brutais." [44]

A família, muito pobre. Após narrar os dramas dessas famílias, que viviam no Brás, no início do século, Lobato imagina a criança de volta para a casa: "Horas depois o fiscal aparecia em casa de Pedrinho com o pequeno pelo braço. Bateu. O pai estava, mas quem abriu foi a mãe. O homem nesses momentos não aparecia, para evitar explosões. Ficou a ouvir do quarto o bate-boca.O fiscal exigia o pagamento da multa. A mulher debateu-se, arrepelou-se. Por fim, rompeu em choro."

E a mulher teve de pagar: "Mariana nada mais disse. Foi à arca, reuniu o dinheiro existente – dezoito mil réis ratinhados havia meses, aos vinténs, para o caso dalguma doença, e entregou-os ao Fisco."

Lobato, ainda, anota o epílogo, começa com o Fiscal: "E foi à venda próxima beber dezoito mil réis de cerveja." Por fim, quanto ao menino: "Enquanto isso, no fundo do quintal, o pai batia furiosamente no menino."

O conto dimensiona, a partir de uma questão tributário-administrativa, o problema da justiça. Lobato valeu-se do conto para expressar sua opinião sobre um funcionalismo corrupto, arrogante e ineficiente.

No conto Lobato dimensionou a questão em nível de drama humano, que vivera ao longo de sua vida de homem de negócios. Para o escritor, a miséria radicava na desigualdade da distribuição dos bens, que, poderia ser mitigada por um sistema tributário mais humano.

 



Categoria: sala de aula
Escrito por Rodolfo Mario às 09h00
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Negrinha - Resumo

 

7.    Os negros

 

O conto "Os negros" é o mais longo da coletânea, contém vinte e seis páginas e está dividido em vinte e dois capítulos. Conta a trágica história de amor entre a filha de um fazendeiro e um empregado português.

O narrador e seu amigo Jonas param no meio de uma viagem a cavalo pelo interior, na casa de Adão, um negro ex-escravo, que lhes oferece pouso. Sem espaço em seu barraco, todos vão dormir na casa grande da fazenda, abandonada e amaldiçoada. Durante a noite, Jonas é possuído pelo espírito do jovem Fernão, um português pobre, funcionário da fazenda no tempo da escravidão, e que teve um namoro escondido com a filha do patrão, o temível Capitão Aleixo. Isabel, a filha do capitão, acabou mandada para a corte e enlouqueceu, longe de seu amado. A escrava Liduína, que ajudou o casal, foi morta a relho. O jovem Fernão foi emparedado vivo. Depois do transe, Jonas de nada se lembrava, de modo que ficou só na memória do narrador a história da tragédia dos jovens amantes.

Esta narrativa, semelhante o conto "Negrinha", é digno de nota porque mostra a discordância do autor em relação à discriminação racial e denunciam o aviltamento dos negros no Brasil, fruto de nossa história escravagista.

O conto reúne diversos estereótipos. Um dos estereótipos mais recorrentes nesse texto talvez seja o do negro rude cativo do campo, desprovido de qualquer vestígio de inteligência. O destaque maior é dado à idéia de que o negro foi feito para obedecer, submeter-se, uma vez que tem a alma servil. Os trechos a seguir dão a dimensão dessas características:

– Há de morar aqui por perto algum urumbeva, disse eu. Não existe tapera sem lacraia.
– Pai Adão, viva!

– Vassumcristo! Respondeu o preto.

– Era dos legítimos...

– Tio Bento, pra servir os brancos.O excelente negro sorriu-se, com a gengiva inteira à mostra...

No texto aparece reforçando o vazio social do negro: sem família, sem bens próprios, ele se assemelha aos bichos do mato, conforme citou-se: O melhor é acomodar-nos na casa grande, que isto cá não é casa de bicho-homem, é ninho de cuitelo... E fomo-nos à casinhola do preto engulir o café e arrear os animais. Morreu tudo, meu branco, e fiquei eu só. Tenho umas plantas na beira do rio, palmito no mato e uma paquinha lá de vez em quando na ponta do chuço.
Como sou só...

Há que se ressaltar o estereótipo da submissão, do negro bom e trabalhador, fiel ao branco e disposto a qualquer sacrifício para agradar o mesmo, como se pode observar: Contente de ser-nos útil, Tio Bento sobraçou a quitanda e deu-me a levar o candieiro.
Era mau, meu branco, como deve ser mau o canhoto. Judiava da gente à toa pelo gosto de judiar.
Ninguém, entretanto, estranhava aquilo. Os pretos sofriam como predestinados à dor. E os brancos tinham como dogma que de outra maneira não se levavam os pretos.
O sentimento de revolta não latejava em ninguém...

Na penúltima transcrição, vê-se a figura do negro digno de compaixão, indefeso e sem nenhuma ação concreta de auto-defesa, como se os castigos recebidos por ele pertencessem à ordem natural das coisas, de forma que, assim, ele os compreendia.

A personagem Liduína, uma crioula muito viva que desde bem criança passou da senzala para a casa grande, como mucama de Sinhazinha Zabé, encarna exaustivamente os estereótipos já assinalados. Ela também, como os outros personagens negros, aparece desprovida de vida própria; suas atenções estão voltadas para a sua Sinhá, como demonstração de subserviência e lealdade. Além disso, seus movimentos e atitudes estão mais próximos dos animais:

Amor? Respondeu a arguta mucama em quem o instinto substituía a cultura.
Bobagens, muxoxou a mucama, trepando à pitangueira com agilidade de macaco.
Pois Sinhazinha não sabe que sou mais sua amiga do que sua escrava?

Conforme se pode observar, a personagem Liduína vem apenas reforçar, dentre outros, o estereótipo da submissão e do servilismo do negro. Suas atitudes também servem para escamotear e dissimular os conflitos da escravidão.



Categoria: sala de aula
Escrito por Rodolfo Mario às 08h58
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Negrinha - Resumo

 

8.    Barba Azul

 

Em "Barba Azul", um amigo do narrador conta-lhe a história de um facínora que descobriu um terrível meio de enriquecer: casava-se com mulheres feias, magras e pequenas, inaptas para o parto; fazia-lhes seguro de vida e , assim que engravidavam, morriam no parto, deixando-o com o dinheiro do seguro.

Pânfilo Novais, o Barba Azul, era um rico aristocrata, assustador por ser muito feio, com uma horrível barba azul. Ele já havia se casado três vezes, mas ninguém sabia o que tinha acontecido com as esposas, que desapareceram. Quando Barba Azul visitou um de seus vizinhos e pediu para casar com uma de suas filhas, a familía ficou apavorada. O Barba Azul acabou por convencer a filha caçula. Os dois se casaram e foram viver no castelo do nobre.

Pouco tempo depois do casamento, o Barba Azul avisou que iria viajar por uns tempos; ele entregou todas as chaves da casa para sua esposa, incluindo a de um pequeno quarto que ele a havia proibido de entrar. Logo que ele se ausentou, a mulher começou a sofrer de grande curiosidade sobre o quarto proibido. Ela contou à sua irmã que a convenceu a entrar no quarto. Ao satisfazer a curiosidade e entrar no quarto, ela descobriu seu macabro segredo: o chão estava todo manchado de sangue, e os corpos das ex-esposas do Barba Azul estavam pendurados na parede. Apavorada, ela trancou o quarto, mas não viu que o sangue havia sujado a chave.

Quando Barba Azul retornou, ele imediatamente percebeu o que sua esposa tinha feito. Cego de raiva, ele a ameaçou, mas ela conseguiu escapar e trancar-se junto da irmã, na torre mais alta da casa. Quando o Barba Azul, armado com uma espada, tentava derrubar a porta, chegaram dois irmãos das mulheres. Os irmãos mataram o nobre enlouquecido e salvaram as mulheres. A mulher ficou com a fortuna do marido morto: com parte do dinheiro, ela ajudou sua irmã a casar com seu amado; outra parte ela deu a seus irmãos. O dinheiro restante ela guardou para si, até se casar com um cavalheiro que lhe fez esquecer do suplício que passara.

 

9.    O colocador de pronomes

 

O conto "O colocador de pronomes" ilustra muito bem o desinteresse e o desapego de Lobato quanto ao rigor gramatical.

No conto intitulado O colocador de pronomes, publicado em 1924, Monteiro Lobato ridiculariza a personagem central, Aldrovando, exatamente pelo uso de uma linguagem empolada e descabida, cheia de preciosismos e de palavras incompreensíveis para a maioria das pessoas.

A certa altura da narrativa, o narrador fala de uma campanha que Aldrovando empreende para evitar erros contra o idioma, propondo a elaboração de leis repressivas. Observe-se em que termos o colocador de pronomes expressa-se para solicitar ao Congresso leis contra os que erram: Leis, Senhores, leis de Dracão, que diques sejam, e fossados, e alcáceres de granito propostos à defensão do idioma. Mister sendo, a forca restaure, que mais o baraço merece quem conspurca o sacro patrimônio da sã vernaculidade, que quem ao semelhante a vida tira. Vede, Senhores, os pronomes, em que lazeira jazem... (Monteiro Lobato, textos escolhidos. Por José Carlos Barbosa Moreira. 3. ed. Rio de Janeiro, Agir, 1972. p. 100 (Nossos Clássicos,65). 1Como se vê, trata-se de uma linguagem rebuscada, quase ininteligível, cheia de palavras raras e de termos em ordem inversa. O resultado dessa campanha foi catastrófico: segundo o que diz o próprio conto, Aldrovando caiu no ridículo, já que os congressistas riram-se dele, os jornais fecharam-lhe as portas, e o público, os ouvidos.

 

10.    Uma história de mil anos

 

Em "Uma história de mil anos", Monteiro Lobato interpreta os valores expressivos dos sons com que representamos o canto dos pássaros, bem como de vocábulos onomatopéicos que a Língua Portuguesa herdou do tupi. Vidinha é uma bela jovem, um anjo de candura, vive com a família nos confins do interior, sem sonhos, ilusões ou paixões. Um dia, um forasteiro desperta em seu coração o amor, beija-lhe e desaparece. Na solidão, agora percebida depois de conhecer o amor, Vidinha definha, entristece e acaba morrendo. “Não vive na terra o que não é da terra”.



Categoria: sala de aula
Escrito por Rodolfo Mario às 08h56
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Negrinha - Resumo

11.    Os pequeninos

 

No conto "Os pequeninos" o personagem se sente aprendiz da dolorosa vida sangrenta dos animais selvagens por ter calado a voz interior, que lhe ditava tolas lembranças do passado, e ter aberto o ouvido agudo e curiosíssimo para ouvir as peripécias duma estória original contada por um desconhecido. Enquanto espera o navio que trará um amigo de Londres, o narrador ouve histórias dos marinheiros. Uma delas narra um episódio em que um gaviãozinho ataca uma ema, cravando-lhe sob as asas as suas garrinhas e bicando-lhe sem piedade a carne viva e macia. Sem defesa, a grande ema é vítima do gaviãozinho. A outra história é de um português, Manuel, que é acusado de roubar um saco de arroz e depois descobre que quem o roubou foram as formigas, tão pequeninas. Enfim o narrador recebe o amigo, tuberculoso, vítima do pequenino bacilo de Koch.

No conto, o personagem se sente aprendiz da dolorosa vida sangrenta dos animais selvagens por ter calado a voz interior, que lhe ditava tolas lembranças do passado, e ter aberto o ouvido agudo e curiosíssimo para ouvir as peripécias duma estória original contada por um desconhecido.

 

12.     A facada imortal

 

O tema de "A facada imortal" é simples: uma facada que Indalício deu em seu companheiro de roda, Raul. A abordagem baseada na psicologia do "mordedor" se reveste em uma de narrativa primorosa. O conto foi escrito por uma razão sentimental, para dar alegria a Raul de Freitas, seu amigo doente, personificado em Raul. Raul de Freitas recebeu o trabalho de Lobato como morfina para suas aflições de saúde. Trata-se de um célebre golpe que Indalício Ararigbóia deu em seu amigo Raul. Chamava-se na época FACADA o empréstimo que se fazia sem a intenção de pagar. O golpista era conhecido por faquista. Indalício consegue arrancar um empréstimo do pão-duro amigo Raul ao mexer com a vaidade do amigo. Após o golpe, Indalício sente-se vitorioso e Raul sente-se derrotado.

 

13.     A policitemia de Dona Lindoca

 

Em "A policitemia de Dona Lindoca", temos a protagonista, D. Lindoca, desgostosa do descaso e das traições do marido, queixando-se de um mal-estar. Procura então o doutor Lorena, um médico charlatão, e descobre-se vítima de uma policitemia (aumento no número de glóbulos vermelhos no sangue). O médico recomenda-lhe descanso e carinho da parte do marido. A vida está uma maravilha, até que o médico é descoberto e foge da cidade. O marido volta ao
descaso e dona Lindoca sente saudades da policitemia.



14.    Quero ajudar o Brasil.

 

Esta narrativa,"Quero ajudar o Brasil", é uma crônica por meio da qual o autor relata sua experiência na campanha pela exploração do petróleo no país. Um negro, funcionário da Sorocabana, procura pelos incorporadores da empresa que luta pela exploração do petróleo (seria de Lobato?) e deseja comprar 30 ações da empresa no total de 3 contos, toda a economia de uma vida inteira de trabalho duro. Ele declara que não se importa com os riscos que corre, pois tudo o que quer é ajudar o Brasil.”Abençoado negro!... Os teus três contos foram mágicos. ... Trancaram com pregos a porta da deserção.”



Categoria: sala de aula
Escrito por Rodolfo Mario às 08h51
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Negrinha -Resumo

15.    Sorte grande

 

No conto "Sorte grande", Maricota é filha de dona Teodora. Moram numa pequena cidade, Santa Rita, com mais seis irmãos. Vivem na pobreza e, para piorar, Maricota desenvolve uma doença rara que lhe faz crescer o nariz. Do tamanho de uma beterraba, o nariz agora é notório e vexatório. A família junta um dinheiro para uma consulta com um especialista de uma cidade grande, mas no caminho, num barco, Maricota conhece um jovem médico, Dr. Cadaval, que se interessa pelo seu caso e a convida para uma tratamebto no Rio de Janeiro. Maricota aceita se mudar para o Rio desde que o dr. lhe consiga alguns favores, emprego para os irmãos e até casamento para as irmãs. Afinal ele, como pesquisador irá colher os louros da vitória pela descoberta do Rinofima, nome do tumor de Maricota. Ela acaba operada e seu nariz volta ao normal, a família se ajeita e o médico ganha fama. O que fora considerado uma vergonha, agora passou a ser chamado de sorte grande pelo povo de Santa Rita.

 

16.   Dona Expedita

 

Em "Dona Expedita" vemos a protagonista, Dona Expedita, uma senhora de 60 anos que ainda diz a todos que tem 36. Ela procura um emprego de criada para serviços leves, mas a situação está difícil. O narrador então nos conta dois episódios engraçados vividos por ela na sua bysca por um emprego ideal. Um dia ela viu no jornal uma oferta de emprego leve de acompanhante para o qual se pagaria 400 mil réis por mês, mas ao chegar ao local descobriu que se tratava de um erro no anúncio, o salário seria de 40 mil réis. O segundo episódio foi quando uma imigrante alemã a procurou falando de um serviço excelente, de uma boa patroa e um bom salário. Dona Expedita achou que ela era a patroa interessada em contratá-la, mas descobriu desconsolada que a alemã também procurava por um emprego assim.

17.    Herdeiro de si mesmo

 

No conto "Herdeiro de si mesmo", temos Lupércio Moura, aos 36 anos, que começa a ser acompanhado por uma maré de boa sorte. Tudo conspira para seu enriquecimento. Por acaso, embriagado, acaba comprando o casco de um velho navio, uma sucata, por 45 contos de réis, tudo o que possuía. Um ano depois, o preço do ferro sobe em função da guerra e ele vende a sucata por mais de 400 contos. No fim da vida está rico, uma fortuna de 60 mil contos, sem ter um herdeiro. Então, procura o médium, dr. Dunga e pede-lhe que se informe com os espíritos sobre quem será sua mãe na sua próxima encarnação, para fazê-la depositária da fortuna dele no seu testamento, queria ser herdeiro de si mesmo.



Categoria: sala de aula
Escrito por Rodolfo Mario às 08h49
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Reflexões

1.       As adversidades não tornam os homens nem melhores nem piores. Apenas revelam-nos como são.” ( Autor Desconhecido )

2.       "Quanto maior a dificuldade, tanto maior o mérito em superá-la." (Henry Ward Beecher)

3.       "Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem." (John Quincy Adams)

4.       "Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades. "
( Epicuro)

5.       "O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte." (Friedrich Nietzsche)

6.       "O medo da desgraça é pior que a desgraça. "(Leib Lazarov)

7.       "O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica." (Norman Vincent)

8.       "Uma mulher que fuja com o amante não abandona o marido, livra-o de uma mulher infiel." (Sacha Guitry)

9.       "Uma amante pode ser tão incômoda quanto uma esposa, quando se tem apenas uma." (George Gordon Byron)

10.   "Um homem poderia ser o melhor amante de sua mulher - se fosse casado com outra." (Elinor Glyn)

11.   "Um amante revela a qualquer mulher tudo quanto o marido lhe oculta." (Honoré de Balzac)

12.   "Quando o amante está distante, mais quente se faz o desejo; o hábito deixa o amado fastidioso." ( Propércio )

13.   "Para um amante, acabaram-se os amigos.” (Stendhal)

14.   "Os velhos amantes que recordam a fúlgida mocidade, não podem fitar-se sem rir ou sem chorar." (Publílio Siro)

15.   "Amar significa nunca ter de dizer que você sente muito."(Erich Segal)

16.   "No homem, o desejo gera o amor. Na mulher, o amor gera o desejo." (Jonathan Swift)

17.   "O amor não conhece sua própria intensidade até a hora da separação." (Khalil Gibran)

18.   "A distância entre a amizade e o amor pode ser a distância de um beijo." (Autor Desconhecido)

19.   "O amor não faz o mundo girar. O amor é o que faz o giro valer a pena." (Franklin P. Jones )

20.   "A maior prova de amor é a confiança." (Joyce Brothers)

21.   "Com amor consegue-se viver mesmo sem felicidade."(Fyodor Dostoyevsky)

22.   "Uma razão para que Deus tenha criado o tempo é para que houvesse um lugar para enterrar os fracassos do passado." (Autor Desconhecido)

23.   "Um irmão é um amigo que Deus lhe deu; um amigo é um irmão que seu coração escolheu." (Autor Desconhecido)

24.   "Senhor, minha preocupação não é se Deus está ao nosso lado; minha maior preocupação é estar ao lado de Deus, porque Deus é sempre certo." ( Abraham Lincoln )

25.   "Qualquer um pode contar as sementes em uma maçã, mas só Deus pode contar o número de maçãs em uma semente."(Robert H. Schuller)

26.   "O que nós somos é o presente de Deus a nós. O que nós nos tornamos é nosso presente a Deus." (Eleanor Powell)

27."O criador não dá a você o desejo de fazer o que você não têm capacidade para fazer. "(Orison S. Marden)



Categoria: frases
Escrito por Rodolfo Mario às 09h37
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Quase se tenta.

Beijo sua boca calmamente

Beijo e absorvo sua alma e sorriso

Beijo e já não preciso

Pensar que perdi minha razão.

 

Vago e vagabundo, vago por seu colo

E a cada pascoal que escalo

Procuro o licor de doce cereja.

O colo lateja. Doce sofrer.

 

Descendo belo vale buscando seu ouro

Escondo minha língua na última

Gruta, e você tão bruta

De tanto anseio.

 

Beijo seu fogo. Abraso su’alma.

Beijo bocas, risos, licores,

Outras cerejas, outros sabores.

Agora, seu beijo em meu paraíso.

 



Categoria: loucus amoenus
Escrito por Rodolfo Mario às 22h12
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